domingo, 24 de março de 2013

Registos do "Passeio pela água" no Dia Mundial da Água

No passado dia 22 de Março, a Katavus celebrou o dia Mundial da Água com um passeio ao longo da margem do rio Cávado. A caminhada iniciou na Praia Fluvial de Adaúfe, percorrendo-se a margem do rio até à zona do Ponte do Bico em Palmeira. Posteriormente fez-se o percurso inverso, contabilizando o percurso cerca de seis quilómetros. Este evento contou com onze participantes, que decidiram desafiar as chuvadas que uma hora antes ocorreram e demoveram a participação de outros elementos inscritos.

Esta iniciativa tinha como principal objectivo assinalar a importância da água doce no contexto da sustentabilidade dos recursos hídricos para o futuro dos seres vivos. Paralelamente, a organização pretendia dar a conhecer a zona ribeirinha do troço que une as grandes azenhas situadas nas áreas de lazer de Adaúfe e Palmeira. Neste âmbito, este evento, para além da sua componente lúdica, permitiu dar a conhecer o importante património arqueológico ligado ao aproveitamento da energia hidráulica (azenhas, açudes, engenhos de rega, abrigos de animais), as pontes, os portos fluviais e demais construções. Em termos ambientais, a Katavus, para além da grande beleza paisagística do troço, pôde registar infelizmente os maus cheiros exalados da água nalguns sítios e os focos de poluição industrial escondidos na vegetação marginal.

As azenhas/ açudes, são testemunhos vivos da nossa história e guardiões de um passado onde a actividade agrícola ocupava grande parte da populaçãoNa praia fluvial de Adaúfe existem três azenhas. Uma delas de considerável envergadura que, não exercendo a função de moagem de cereais, para a qual foi construída, continua a ter a sua roda a funcionar. A mesma que faz trabalhar, no verão, o raro engenho de rega de ferro com roldana que faz elevar a água em grande altura. A restauração do telhado desta azenha foi infeliz, por causa da utilização de cimento na cobertura. A soberba azenha localizada junto à Ponte do Bico continua no seu estado de ruína  esperando melhor sorte. Tanto uma como outra mereciam  melhor atenção, devendo ser restauradas por serem testemunhos físicos importantes da industria pré-industrial da região. 
No Lugar de Vale, a meio caminho das duas azenhas, localiza-se o "paredão de Vale", que não é mais do que a estrutura restante de um porto fluvial com 3,5 metros de largura na face que ligava as margens do concelho de Braga ao de Amares.
Em termos patrimoniais deve também assinalar-se a Casa das Máquinas da antiga Central Elevatória da Ponte do Bico construída nos inícios do século XX.
Esta caminhada serviu, por conseguinte, para analisar o estado de conservação da natureza nas margens. De facto, o cenário encontrado foi desolador, existindo diversos focos de poluição industrial e doméstica ao longo da margem na freguesia de Adaúfe. Não sendo situações de fácil controlo, estes atentados naturais deveriam merecer maior fiscalização da delegação da GNR/SEPNA.
O cheiro da água junto à Ponte do Bico, denunciava a descarga de esgotos local. Na área de lazer de Palmeira, a placa referente à operação de limpeza da AGERE estava derrubado  porventura devido aos fortes ventos que se têm vindo a sentir.










Sem comentários:

Enviar um comentário